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30 de abril de 2012

O Homem que Mediu o Egito

Retomando os vídeos da segunda e voltando um pouco para meu foco de pesquisa, o vídeo abaixo é um documentário na íntegra sobre a vida e obra de W. M. Flinders Petrie, um dos maiores egiptólogos da história do campo acadêmico. 

Mais que uma biografia, o documentário revisita toda a trajetória do arqueólogo, desde sua formação até algumas polêmicas envolvendo seu trabalho - como o flerte com a eugenia e teorias de determinismo social - a paixão e obsessão pela mesuração e metodologia sistemática e a contribuição de seus estudo de cronologia serial em artefatos.

Porém o que torna esse documentário emblemático para a minha pesquisa é o desenvolvimento da Egiptologia enquanto ciência na virada do século XIX para o séc. XX, especialmente ao apontar na trajetória de Petrie, e no seu posteior reconhecimento, a guinada sistemática da Arqueologia. E de como essa tendência se consolidou como foco principal, dotando a Egiptologia de um caráter objetivo e tecnológico.



17 de outubro de 2011

O que é Imortal

Então, dando prosseguimento aos trabalhos deste blog... #DeputadoFederalFeelings

Brincadeira! Tenho trabalhado bem pouco por aqui e a sensação de que entrei em um modo "congresso brasileiro" (expediente só de terça à quinta) cresceu um pouco. Para mostrar serviço e dar um ar mais de "Blog" ao projeto, vou começar a postar alguns links e vídeos de material que considero interessantes, enquanto encubo meus rascunhos em uma estufa.

Segue abaixo a entrevista no Jô de um dos poucos mestres de verdade na arte da Historiografia, o professor da UFRJ e Imortal da Academia Brasileira de Letras José Murilo de Carvalho. Autor de um trabalho indispensável pra quem quiser trilhar o caminho da historiografia (não só a brasileira), ele dá uma verdadeira aula de como a democracia se desenvolve no país até hoje.

Nunca tive aulas com ele, mas tive o imenso prazer de ler os seus livros e até hoje acho um dos trabalhos mais brilhantes escritos sobre a história do país. 

Vendo a entrevista me lembrei da época em que ele foi imortalizado pela ABL e, pra variar, deixaram uma piada no quadro do Salão Nobre:

"O que é imortal, não morre no final"

Piada ou não, faz todo o sentido.


5 de outubro de 2011

Correndo com Tesouras

De todas as expressões da língua inglesa, uma das que mais gosto é "Running with Scissors" - literalmente "correndo com tesouras" - que significa basicamente o que a imagem sugere: algo entre viver perigosamente, andar em corda bamba ou brincar com fogo.

O que tem me colocado nessa posição de alvo fácil é o fato de começar, através deste blog, a expôr parte das minhas opiniões pessoais e visão profissional. Relendo o que escrevi até agora (2 posts publicados mais 3 incubados) fiquei um pouco apavorada com um dos princípios que eu mesma prego - tudo é sujeito a interpretações.

Nesse âmbito não há como ser autoritária a ponto de forçar essa ou aquela visão, sobre o risco de perder meu próprio parâmetro; bem como não posso ignorar a possibilidade de ver meus textos expressarem opiniões que não são minhas por falta de clareza.

Só me resta tentar explicar da melhor forma possível (dentro dos meus limites, óbvio) e esperar.

4 de outubro de 2011

Antes de Tudo, Um Pouco de Nada

Não está sendo fácil começar este blog.

A intenção era clara: passar um pouco do que eu chamo de "bastidores" do meu trabalho. O que faz um historiador e como vê o mundo a sua volta, estando ele relacionado ou não à sua linha de pesquisa.

Mas para isso, teria que considerar os seguintes fatores: 

Primeiro - meu "trabalho" ainda não é um trabalho no sentido literal da palavra. No momento (de sobrevivência entre bicos, outras atividades remuneradas não relacionadas e desemprego formal) não posso associar o que faço com atividades de participação na geração de Produto Interno Bruto. É trabalho no sentido de atividade intelectual direcionada e metodológica. Mas não paga minhas contas, nem põe comida na minha mesa; mas precisa de uma dedicação intensa, cuidado técnico e paciência de um artesão.

Segundo - Bastidores é um termo vago, que nada tem a ver com a análise crítica constante da sociedade e seu contexto cultural. O que eu pretendo expôr aqui é mais um condicionamento involuntário, de tentar entender a sociedade em que vivo e o mundo no qual estou inserida. Involuntário, pois não há como desliga-lo. Além disso discutir um pouco do que vejo e um pouco do que leio.

Terceiro - Seria, não só muita pretensão minha, como também um erro metodológico gravíssimo colocar meu pensamento e minha visão de mundo na posição de visão comum a todos os historiadores. Criar uma coleção de supostas "verdades/bases universalmente aceitas" em um meio acadêmico - o que chamamos de paradigmas - quando parte do trabalho é, justamente, criticar esses paradigmas; Cometendo um pecado que sei que muitos cometem, mesmo pregando contra.

Quarto - Estar relacionado à linha de pesquisa ou não, pouco interfere, uma vez que qualquer historiador que se coloca na posição de investigar um recorte temporal deveria, em tese, acompanhar e considerar seu próprio tempo presente como fator de direcionamento e condicionamento de sua pesquisa. Todos nós somos sujeitos e agentes contextualizados em nosso espaço-tempo. Ignorar isso é pressupor que existe neutralidade em pesquisa. Ou acreditar em Papai Noel.

Mas antes do último e decisivo fator, prestem atenção ao que acabei de fazer. Basicamente eu questionei todos os conceitos das minhas próprias afirmações. Lógico que esse questionamento é limitado pela minha capacidade e visão. Mas isso significa, pelo menos pra mim, que todo e qualquer questionamento sobre um assunto é válido por que contribui para redimensionar o mesmo em diferentes ângulos.

Então chegamos ao quinto fator a ser considerado: Afinal de contas, o que raios faz um historiador?